O Amor aos 30 ANOS


O ano passado eu fiz 30 anos. e tem gente que prefere atravessar a rua de olhos fechados a estar sozinha aos 30 anos. eu também preferiria, se eu tivesse encontrado alguém com quem eu realmente quisesse dividir minha vida.

agora, aos 30 anos, fazendo um balanço, me parece que sempre gostei mais de idealizar o amor do que vivê-lo do jeito que ele é. isso me rendeu 6 anos de terapia (não só isso, obviamente), que começaram com o meu primeiro término e continuam com as minhas batidas de cabeça vida afora. acontece que, nessa altura da minha vida o amor mudou um pouco de figura. acho que faz sentido, vivendo e aprendendo, diz o ditado. esotérica ou não, o que define o amor para mim agora é sinergia, entrega e aprendizado. fazer textos sobre amor nem sempre é saber muito sobre ele. assim como as cartas, todos os textos de amor são ridículos, e não seriam se não fosse sobre o amor. é difícil entender o motivo pelo qual eu me interessei pelo último menino de quem gostei, mas eu não conseguia olhar para nada sem pensar que gostaria que ele soubesse daquilo também. de um twitter a uma música nova, a vontade que eu tinha era de compartilhar. a gente falava a mesma língua e gostava das mesmas coisas, isso ajudou, é claro. mas eu sabia o tanto que ele ficaria empolgado e interessado pelo que me interessava e vice versa. essa pessoa tinha tanta felicidade e facilidade com a vida que era agradável ficar por perto. por isso que, aos 30 anos, o amor tem a ver com a facilidade e felicidade que eu também tenho com a vida, para que as pessoas queiram ficar por perto e compartilhem do meu amor. seria errado dizer que eu não quero dividir a minha vida com ninguém agora porque as pessoas não são boas o suficiente. eu também preciso estar interessada na troca. colocar alguma pessoa na minha vida é algo delicado pra mim, porque ao meu ver, você não busca um amor. o amor funciona diferente, quando você viu, já está dentro dele. é muito mais consequência do que causa. o meu objetivo nunca foi casar, o que eu gostaria muito é que, em algum momento, eu encontrasse uma pessoa pela qual eu sentisse tanto amor, que um dia a gente resolvesse ter paciência um com o outro a ponto de morarmos juntos. tem menos a ver com namorar e com casar, e muito mais a ver com amar uma companhia. eu vejo pessoas se dividindo em dois por motivos que não consigo entender e me dá uma tristeza, mas ao mesmo tempo uma tranquilidade pelo caminho que eu venho escolhendo. eu não tenho certeza, mesmo aos 30 anos, que da próxima vez que trombar com o amor, ele vai ser certo. mas eu estou tentando descartar todas as formas erradas de amar e isso é um tentativa de não atravessar a rua de olhos fechados, embora eu só tenha 30 anos.

Por Giovana Barbieri

Foto @grbarbieri

Leia também o texto da Giovana de 2015. Vale a pena.



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